Revista Multimídia Ambiental

Pensando em um mundo melhor.

Estudo aponta que o desmatamento da Amazônia pode contribuir para a proliferação de doenças

Por Myrian Conor, em Castanhal – PA

Cientistas registraram aumento da doença em região próxima ao Peru.
Conservação ambiental deveria ser parte da política de saúde, defendem.

Fêmea do mosquito Anopheles alimentando-se de sangue humano

A devastação da Amazônia contribui para a proliferação de mosquitos e pode fazer com que aumente a incidência de malária, mostra pesquisa  divulgada no último dia 16.

Cientistas americanos descobriram um aumento de 48% nos casos de malária em uma região da Amazônia brasileira que havia perdido 4,2% da sua cobertura vegetal nativa.

Essas conclusões, publicadas na revista “Emerging Infectious Diseases”, mostram uma correlação entre a derrubada de árvores, a proliferação dos mosquitos e a maior incidência de infecções em humanos.

“Parece que o desmatamento é um dos fatores ecológicos iniciais que podem desencadear uma epidemia de malária”, disse Sarah Olson, da Universidade de Wisconsin, que participou do estudo.

Por telefone, o professor Jonathan Patz, coordenador do estudo, disse que “a política de conservação e a política de saúde pública são uma mesma coisa.” “A forma como gerimos nossa paisagem e, nesse caso, a floresta tropical tem implicações para a saúde pública.”

A malária, doença causada por um parasita transmitido por mosquitos, mata cerca de 860 mil pessoas por ano no planeta, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). O Brasil tem cerca de 500 mil casos anuais, em geral transmitidos pelo mosquito anófeles.

A equipe de Patz tem monitorado as alterações na população de mosquitos com relação à derrubada da floresta no Brasil e no Peru. O grupo examinou imagens de satélite indicando o desmatamento em um município amazônico, e correlacionou os dados a prontuários médicos com diagnósticos de malária. Mais de 15 mil casos detalhados foram documentados em 2006, às vezes com uso de GPS para apontar o local de residência do paciente.

“Mostramos que uma mudança de 4,2% no desmatamento, entre agosto de 1997 até agosto de 2001, está associada a um aumento de 48% na incidência de malária”, escreveram os pesquisadores.

“Paisagens alteradas pelos humanos fornecem um meio de habitats adequados para larvas dos mosquitos anófeles, o que inclui valas em estradas, represas, garimpos, galerias pluviais, sulcos (de pneus) de veículos, e áreas de desmatamento incompleto”, disseram.

Outro possível fator é que alguns moradores montaram pesqueiros na região que, segundo Patz, não estão visíveis nas imagens por satélites, mas também podem servir como criadouros de mosquitos.

“Nossas conclusões são provavelmente generalizáveis para muitas partes da Amazônia, e avançam sobre nossos estudos entomológicos do passado na Amazônia peruana”, acrescentou o cientista.

“Este estudo de epidemiologia ambiental mostra ainda mais que a política de conservação deveria ser um componente importante para qualquer esforço de controle da malária na região.”

Fonte:

Adaptado do website Globo Amazônia  via @reuters

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A cruzada da Motosserra

Por Myrian Conôr, em Belém do Pará.

Greenpeace: Por detrás da guerra da bancada da motosserra contra o Código Florestal, uma lei com 76 anos de história, só há um motivo: ele, finalmente, está deixando de ser letra-morta.

Nunca, neste país, se falou tanto de Código Florestal. O que é de se estranhar, pois a Lei nº 4.771 já está entre nós há exatos 45 anos. Isso sem contar sua primeira versão, que data de 1934. Não faz mais de década e meia, no entanto, que o Código virou alvo do agronegócio e de seus representantes no Congresso. Considerada, no Brasil e no mundo, uma das mais avançadas peças de legislação florestal, o Código, a cada ano, sofre ataques mais virulentos por parte dessa turma que acha que árvore só deve ser tratada a dentes de motosserra.

Na Câmara Federal, o Código está cercado por todos os lados. Na Comissão de Meio Ambiente da Casa, ainda tramita o projeto de lei 6424, de autoria do senador Flecha Ribeiro (PSDB-PA), que anistia desmatadores, reduz áreas de proteção e destina-se a causar tanto mal a nossas árvores que foi apelidado de “Floresta Zero”. Em outra Comissão Especial, criada no ano passado com a missão de juntar 11 projetos de lei que atacam os preceitos do Código Florestal, o relator, deputado federal Aldo Rebelo, (PCdoB-SP), apoiado por uma maioria de ruralistas, dá claros sinais de que nossas matas não terão mais vez.
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