Revista Multimídia Ambiental

Pensando em um mundo melhor.

Um passeio pra lá de perigoso

Comboio carregado de urânio tenta entrar em Caetité (BA), é barrado pela população e agora aguarda em posto da polícia militar destino seguro para um material altamente perigoso.

Apinhados de composto de urânio, material altamente contaminante usado para abastecer usinas nucleares, 13 caminhões estão parados em uma unidade de polícia militar de Guanambi, interior da Bahia, a cerca de 800 km de Salvador. A carga tinha como destino o município de Caetité, onde a Indústria Nuclear Brasileira (INB) mantém um programa criminoso de extração de urânio, mas a população de Caitité impediu que o carregamento entrasse.

Mais de três mil pessoas barraram a passagem dos caminhões, que apareceram na entrada do município na noite de domingo para segunda-feira, dia 16 de maio. O cordão humano impediu que a viagem prosseguisse e os veículos terminaram escoltados pela polícia até Guanambi, onde estão parados à espera de uma resolução para o impasse.

O composto de urânio viajou de São Paulo até a Bahia, vindo de uma reserva da marinha em Iperó e serviria, segundo nos informa o portal da INB, para suprir a falta do produto nas minas, que estariam sofrendo de queda de produção. Segundo a INB, o material seria reembalado e, em seguida, enviado à Europa para ser enriquecido.

“O urânio é um composto extremamente perigoso, que espalha radioatividade se em contato com o ar, com alimentos, ou com o corpo. Um comboio de caminhões trafegando pelas já inseguras estradas brasileiras e agora sem rumo certo para terminar a viagem demonstra o perigo absurdo que representa o programa nuclear para o Brasil”, diz Pedro Torres, da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace.

Fonte: GreenPeace

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Código Florestal em risco

 Código Florestal, a legislação ambiental mais avançada do mundo, escapou de uma facada mortal ontem – ainda que a sombra da lâmina continue a pairar sobre nossas matas.

Em uma sessão da Câmara dos Deputados que foi da manhã de ontem à madrugada, o projeto de lei do deputado neoruralista Aldo Rebelo (PCdoB-SP), que desfigura o código em prol do agronegócio, não foi votado apenas porque o governo se sentiu traído e poderia ser derrotado em plenário.

“O resultado mostra como grande parte da Câmara atuou de forma irresponsável com o país e com o planeta, pois passaram o dia discutindo um texto que não existia e que seria votado à revelia dos interesses de todos os brasileiros”, afirma Paulo Adario, diretor de campanhas da Amazônia. “O texto do deputado não foi construído com base em dados científicos, nem com amplo debate com a sociedade, mas em cima unicamente de interesses dos ruralistas.”

O texto é um ataque ao arcabouço legal que hoje protege as florestas brasileiras para beneficiar o agronegócio. Dá anistia a quem desmatou acima do que a lei permite e abre espaço para mais desmatamentos; transfere para o Congresso – apinhado de ruralistas – e para os órgãos estaduais – que são mal aparelhados e sensíveis a pressões locais – a responsabilidade de regulamentar a legislação, que hoje está com o Conama (Conselho Nacional de Meio Ambiente).

Há outras pegadinhas nessa reforma do Código Florestal, como:

– fim do embargo ao crédito para as fazendas localizadas em municípios na Amazônia marcados com desmatamentos ilegais, que é um dos pilares do Plano Nacional de Combate ao Desmatamento;

– permissão de criação extensiva de gado em encostas, hoje delimitada como área de preservação permanente (APP);

– extensão da isenção de reserva legal (área que cada propriedade rural precisa preservar) para todos os fazendeiros em propriedades de até quatro módulos até 2008 – nesse ponto, Aldo foi ainda mais maldoso, retirando a data do texto e abrindo espaço para que fazendas maiores sejam fragmentadas e beneficiadas;

– fim da proteção aos mangues, para permitir criação de camarão e construções de mansões a portos.

A atuação do governo ontem à noite, segurando a votação, não o exime da culpa de ter alimentado o monstro. A inércia dos últimos dois anos, quando essa reforma começou a ser operada, permitiu que a aliança entre Aldo e os ruralistas gerasse uma proposta de retrocesso na lei, atribuísse às ONGs que lutam pela preservação do ambiente a pecha de inimigos do país e criasse um constrangimento para a presidente.

Dilma é a fiel depositária dos compromissos internacionais de Lula de derrubar o desmatamento, principal contribuição brasileira para o aquecimento global, e dos votos dos brasileiros que acreditaram em sua promessa de campanha de não permitir retrocessos na proteção ambiental ou anistiar crimes ambientais. O Congresso e Aldo Rebelo (que é da base aliada) preparam para Dilma uma arapuca. O Greenpeace espera que ela a desarme enquanto é tempo e desligue a motosserra do Parlamento.

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Fonte: GreenPeace Brasil

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Menos nuclear no futuro japonês

Na proximidade do aniversário de dois meses do acidente nuclear em Fukushima, o Primeiro-Ministro japonês Naoto Kan traz um anúncio alentador para a população do seu país. Vai abandonar de vez novos projetos de construção de reatores. Até o ano passado, as projeções eram de construção de 14 novos reatores até 2030, em um país que já conta com 54 usinas, responsáveis por 30% da energia produzida internamente.

“A decisão pode colocar o Japão no rumo certo das políticas energéticas, um rumo limpo e renovável”, comemorou Junichi Sato, Diretor Executivo do Greenpeace no Japão. “Precisamos agora ver o comprometimento do Primeiro-Ministro em eliminar gradualmente toda a energia nuclear no país e garantir os investimentos certos”, complementou Sato.

O sonho está mais próximo do que parece. De acordo com o estudo Revolução Energética, desenvolvido pelo Greenpeace, o Japão tem tudo para se ver livre de nuclear até 2050, sem prejuízo ao abastecimento e com crescimento limpo e seguro.

Lançado em 2008, a versão japonesa do relatório, estudo que traz previsões de como os países podem se desenvolver mais e melhor com o uso das energias limpas, mostra que o Japão pode ter sua matriz energética 60% renovável nos próximos 40 anos. Neste cenário, o último reator nuclear daria adeus ao país até 2045.

O segredo está em focar seus investimentos em eólica, biomassa, geotérmica e solar. Graças ao seu alto grau de desenvolvimento tecnológico, o país tem potencial de sobra para investir em eficiência energética, com aparelhos mais modernos que consomem menos energia. A queda progressiva do crescimento populacional do Japão ajudaria no resto: consumo 53% menor nos próximos 40 anos.

“Este passo importante, dado por um país conhecido pela alta dependência de usinas nucleares, é mais um aviso ao governo brasileiro de que o mundo está dando as costas para este tipo de energia insegura, cara e desnecessária. Especialmente para o Brasil, o país do sol e dos ventos, que tem potencial de sobra para ser 100% renovável”, afirma Ricardo Baitelo, da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil.

Fonte: GreenPeaceBR

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Relatórios de sustentabilidade: é hora da divulgação integrada

O processo decisório no mundo dos negócios no século 21 deve refletir o vínculo indissociável entre as questões econômicas, de governança, ambientais e sociais. A combinação dessas forças desafia as empresas a criar valor não somente para seus acionistas, mas também para a sociedade. O sucesso, portanto, está reservado às empresas que aprenderem a equilibrar o imperativo da sobrevivência no longo prazo, tanto para a própria companhia como para o mundo de que ela depende para criar valor econômico, com as demandas de competitividade e lucratividade no curto prazo.

Uma nova prática na divulgação de resultados está surgindo para ajudar as empresas a vencer esse desafio. A divulgação integrada de resultados financeiros e de sustentabilidade, que é adotada pela Natura Cosméticos e pela Fibria Celulose S.A, permite às partes interessadas avaliar melhor a capacidade das empresas de criar valor no longo prazo. A divulgação integrada é compulsória para as empresas negociadas em bolsas de valores na África do Sul, e em 2012 empresas de capital aberto e privadas com mais de 500 empregados serão obrigadas a fazê-lo na França. Além disso, empresas no Canadá, Dinamarca, Japão, Alemanha, Holanda, Reino Unido e nos Estados Unidos estão voluntariamente publicando relatórios integrados. O uso crescente do termo “divulgação integrada” é uma faca de dois gumes.  O termo descreve com precisão um conceito essencial — a integração de um relatório anual tradicional com um relatório de sustentabilidade em um único documento. Porém, as palavras “divulgação integrada” não conseguem em absoluto transmitir a realidade de que uma estratégia sustentável é fundamental para que a empresa consiga publicar um relatório que explique as relações entre seu desempenho financeiro e de sustentabilidade. As empresas operam em um mundo multidimensional, constituído da economia global, do meio ambiente, e da sociedade da qual os negócios dependem para criar valor.  A divulgação de seu desempenho e, ainda mais importante, de suas estratégias e processos decisórios, tem de refletir essa realidade.

Um estudo recente da MIT Sloan Management Review e do The Boston Consulting Group revela que, embora a sustentabilidade e a divulgação integrada de resultados não sejam obrigatórias, muitas empresas reconhecem as conexões entre fatores econômicos, ambientais e sociais. O relatório, intitulado Sustentabilidade: quem abraça ganha vantagem, publicado em 2011, afirma:

“Embora a pesquisa revelasse que a maioria das companhias considera que a sustentabilidade pode vir a se tornar ‘essencial’, o mais interessante é a revelação de que uma ala dos negócios — a das empresas que abraçaram a causa — já está atuando como se ela fosse de fato essencial. Ao passo que as que adotaram o conceito com ressalvas vejam a sustentabilidade nos negócios em termos de gestão de riscos e de ganhos de eficiência, as empresas que abraçaram a causa consideram que a maior parte dos dividendos de uma gestão orientada para a sustentabilidade vem de vantagens intangíveis, melhoria de processos, capacidade de inovação e, sobretudo, de oportunidades de crescimento. E as que abraçaram a causa, de acordo com o estudo, são as mais bem sucedidas nos negócios.”

Há muitas razões pelas quais uma empresa deva aderir à divulgação integrada e ao desenvolvimento de estratégias de negócios sustentáveis. Um relatório de 2010 da Accenture, Driving Value from Integrated Sustainability: High Performance Lessons from the Leaders , mostra que as companhias que adotaram estratégias e práticas de negócios sustentáveis criam valor por meio de:

1) Aumento da receita — Por exemplo, o Portfolio Ambiental da Siemens AG descreve como as soluções para economia de energia beneficiam os clientes, as futuras gerações e a própria companhia. No exercício de 2010, o Portfolio Ambiental da Siemens gerou receitas de cerca de 28 bilhões de euros.

2) Redução de custos — Publicado em abril de 2010, o relatório Novo Nordisk Blueprint for change: the climate change challenge mostrou que, entre  2004 e 2009, “200 projetos de redução de consumo de energia foram implantados em instalações industriais da companhia em diversas partes do mundo, resultando em uma redução de 10% no consumo de energia, correspondente a uma economia de US$ 24 milhões.

3) Gestão de risco mais eficaz — As empresas que já iniciaram sua jornada rumo à divulgação integrada de resultados antecipando-se a exigências regulatórias terão uma sólida plataforma sobre a qual poderão atender novas demandas sociais ou ambientais ou mesmo de divulgação integrada de informações. Além disso, a divulgação integrada requer um processo consistente de engajamento com as partes interessadas, o qual assegura que a estratégia da empresa esteja em sintonia com as necessidades e expectativas da sociedade, em permanente transformação.

4) Ganhos de reputação e imagem — As tecnologias e ferramentas da Internet e da Web 2.0 (como as plataformas de mídia social, fóruns de discussão, blogs e podcasts) possibilitam migrar de um fluxo unidirecional de informação para um diálogo permanente entre a empresa e todas as suas partes interessadas.  Isso ajuda a alcançar um engajamento consistente, incluindo conteúdos, comentários e sugestões gerados pelos próprios usuários. À medida que a administração desenvolve esse tipo de engajamento, os acionistas irão adquirir uma perspectiva mais holística da empresa, e entender que a capacidade da organização de gerar lucros no longo prazo irá requerer investimentos que implicam custos no curto prazo. No sentido inverso, ONGs e outras partes interessadas entenderão que as empresas precisam de lucro para sobreviver e crescer, e assim ajudarão a viabilizar iniciativas de negócios responsáveis.

Um arcabouço, ou modelo de estrutura, para informações não-financeiras torna-se necessário para acelerar a ampla adoção da divulgação integrada de resultados. O desafio de desenvolver e promover um modelo de estrutura geralmente aceito para a divulgação integrada foi abraçado pelo International Integrated Reporting Committee (IIRC). No enunciado de sua missão, esta diversificada organização global explica que o IIRC inclui “líderes do setor empresarial, de investimentos, contabilidade, valores mobiliários, regulatórios, acadêmicos e formuladores de normas assim como da sociedade civil.” Roberto Pedote, Vice-Presidente Senior de Finanças, Jurídico e Tecnologia da Informação da Natura Cosméticos, e o Professor Nelson Carvalho, da Universidade de São Paulo e Chairman da 25ª Sessão do ISAR da UNCTAD, são membros do Comitê Gestor do IIRC.

Michael P. Krzus é sócio da Grant Thornton LLP e uma das maiores autoridades mundiais na divulgação integrada de resultados. Ele é co-autor, com Robert G. Eccles, Professor de Prática de Gestão da Harvard Business School, do primeiro livro sobre o tema, “Relatório Único,:divulgação integrada para uma estratégia sustentável” (Editora Saint Paul). Atualmente, trabalha com o secretariado do IIRC e com a equipe de desenvolvimento da versão G4 da Global Reporting Initiative (GRI).

Fonte: Portal ABERJE, Luís Fernando Brandão.

*Tradução do artigo de Michael P. Krzus

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