Revista Multimídia Ambiental

Pensando em um mundo melhor.

10 motivos para não utilizar energia nuclear

A Revista Ambiental RKM já mostrou que é contra a utilização de energia não sustentável. Além de causar sérios danos à natureza, em casos de acidentes pode causar diversos estragos tanto ao meio ambiente quanto à vida humana, portanto, energia nuclear não é uma boa saída.

Temos a sorte de viver num país abençoado pela natureza. Belas regiões litorâneas e  muiiiiito vento. Benefício que poderia ser usado a nosso favor, para gerar energia de forma mais saudável tanto para a natureza quanto para a vida humana. Tem um custo mais baixo em relação à energia nuclear, e segundo especialistas, é uma das formas mais promissoras de geração de energia!  Fonte que nunca se esgotará e não agride, meio ambiente, ajuda a reduzir o efeito estufa e é limpa!

Só falta conscientizar os governos a investir nessa forma de obtenção de energia e já está sendo bastante utilizada em outros países. Bem que o Brasil poderia aderir não é?

10 motivos para não utilizar energia nuclear:

  1. É desnecessária: o Brasil tem sol, água e vento suficientes para gerar energia para crescer de maneira realmente renovável. Nosso país é um dos lugares com maior potencial de se tornar 100% limpo com energia segura e renovável. Basta vontade política.
  2. Mata: em caso de acidente em usinas a radiação contamina o ar, causa graves danos à saúde e torna regiões inteiras inabitáveis. Chernobyl (na ex-União Soviética), Three Miles Islands (EUA) e Fukushima (Japão) são alguns exemplos. Na foto: Equipe do Greenpeace voltou a Chernobyl 25 anos depois do acidente e revela que o local permanece contaminado. Jan Grarup / NOOR / Greenpeace
  3. É suja: não há descarte seguro para o lixo radioativo, que se manterá perigoso por milhares de anos. Na foto: Crianças dormem em um abrigo para refugiados da radiação. O traço de contaminação pode impedir que milhares voltem para suas casas. Markel Redondo / Greenpeace
  4. É perigosa: problemas ocorrem em toda a cadeia: da mineração, altamente poluente e que deixa rastros no solo e na água, como ocorre na cidade de Caetité (BA), passando pelo funcionamento das usinas, até a disposição do lixo. Na foto: Equipe do Greenpeace encontra radiação em alimentos de hortas caseiras em cidades próximas à Fukushima, mas fora da zona de evacuação. População não sabia da contaminação. Christian Aslund / Greenpeace
  5. É cara: o custo de Angra 3, investido em eficiência energética, significaria uma economia de até 10 vezes o valor da obra. Se convertido em parques eólicos, o mesmo investimento geraria muito mais energia. Na foto: O Greenpeace no Brasil pede pelo fim do programa nuclear do país, a começar pela suspensão da obra da usina de Angra III. Greenpeace / Felipe Barra.
  6. Emprega menos: as indústrias renováveis geram muito mais empregos do que a nuclear. Nos próximos 40 anos, mais de 3 milhões de postos de trabalho podem ser criados com a energia limpa. Na foto: A maior parte dos empregos verdes são qualificados, com desenvolvimento e produção de equipamentos de ponta. Greenpeace / Markel Redondo
  7. É estigmatizada: como resultado do acidente em Fukushima, diversos países estão revendo seus programas nucleares, entre eles Alemanha, Itália, Suíça, China e Índia. Na foto: Ativistas fazem vigília na África do Sul para pedir o fim da energia nuclear no mundo. Shayne Robinson / Greenpeace
  8. Carece de transparência: só o Brasil, Irã, Paquistão e Coréia do Norte confiam ao mesmo órgão a tarefa de incentivar, por um lado, e fiscalizar, por outro, as atividades nucleares. Na foto: No aniversário de um mês do desastre de Fukushima, Greenpeace pede pelo aumento da zona de evacuação e demanda informações mais seguras à população. Na foto, especialistas dão entrevista à imprensa. Markel Redondo / Greenpeace
  9. É mal administrada: no Brasil, a incompetência da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) resultou no acidente com o césio-137 em Goiânia. Na foto: O acidente com o elemento césio-137, vazado de uma placa de raio-x depositada em um lixão, matou mais de 60 pessoas e causou danos à saúde de milhares. Greenpeace / Lunaé Parracho
  10. Emite gases de efeito estufa: o ciclo total da indústria nuclear produz mais emissões do que fontes limpas e seguras de energia, como eólica, solar e biomassa. Na foto: Em protesto realizado em Brasília, Greenpeace pede mais incentivos para as energias limpas no país. Greenpeace / Rodrigo Baleia

Fonte: GreenPeace

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Campo Grande calcula sua pegada ecológica

Campo Grande é a primeira cidade brasileira a contar com o cálculo da pegada ecológica. Os resultados do estudo foram apresentados em uma oficina realizada pelo WWF-Brasil e pela prefeitura da capital sul-mato-grossense, nos dias 7 e 8/4. O estudo avaliou os hábitos de consumo da população de Campo Grande e apontou uma pegada ecológica de 3,14 hectares globais por pessoa.

A pegada ecológica de um país, cidade ou pessoa corresponde ao tamanho das áreas produtivas de terra e mar necessárias para sustentar determinado estilo de vida. É uma forma de traduzir, em hectares, a extensão de território que uma pessoa ou uma sociedade “usa”, em média, para se alimentar, morar, se locomover, ter e afins.  A metodologia vem sendo testada em algumas cidades do mundo, mas, no Brasil, pela primeira vez é desenvolvida para uma cidade.

O trabalho foi realizado pelo WWF-Brasil em parceria com a prefeitura da capital do Mato Grosso do Sul, Global Footprint Network (GFN), a empresa social Ecossistemas e a Universidade Privada Anhanguera. O objetivo foi ter uma ferramenta de gestão para ajudar no planejamento e na gestão pública, mobilizar a população para rever seus hábitos de consumo e escolher produtos mais sustentáveis, além de estimular empresas a melhorarem  suas cadeiras produtivas.

A pegada ecológica é uma  metodologia de contabilidade ambiental que avalia de um lado o consumo e do outro a capacidade de recursos naturais disponíveis no planeta. “É possível traduzir a pegada ecológica em quantos e quais recursos são usados pela população e em quanto isso excede a capacidade de recuperação natural dos ecossistemas”, disse Michael Becker, coordenador do Programa Pantanal-Cerrado do WWF-Brasil.

E os estudos realizados pela Global Footprint Network (GFN), rede mundial responsável pelos cálculos da pegada ecológica, mostram que a humanidade já excedeu bastante essa capacidade. Hoje a pegada ecológica média mundial é 2,7 hectares globais por pessoa, enquanto a biocapacidade disponível para cada ser humano é de apenas 1,8 hectares globais. “Isso coloca a humanidade em um grave déficit ecológico de 0,9 hectares globais per capita”, afirmou o  diretor da Escossistemas, Fabrício de Campos, responsável pelo cálculo.

A pegada de Campo Grande – No caso de Campo Grande, os 3,14 hectares podem ser traduzidos em 1,7 planetas. Isso significa que se todas as pessoas do mundo tivessem o mesmo consumo do morador de Campo Grande, seriam necessários quase dois planetas para sustentar esse estilo de vida.  A questão é que existe um planeta. “Estamos no cheque especial. Estamos drenando o crédito planetário e  exaurindo nosso capital natural. Isso é muito sério”, destacou o diretor da Escossistemas, Fabrício de Campos, responsável pelo cálculo.

Se comparada à média brasileira, Campo Grande tem uma pegada 8% maior que a média nacional, que é de 2,9 hectares globais por pessoa. Ela também é 10% maior que a do Mato Grosso do Sul e 14% maior que a Pegada média mundial, que é de 2,7 hectares globais por pessoa. O Mato Grosso do Sul, por sua vez, tem uma Pegada Ecológica 3% menor que a média brasileira.

Pastagens, agricultura e florestas somam 75% da Pegada Ecológica de Campo. Em classes de consumo, o maior impacto foi na alimentação, com 45%, com destaque para o consumo de carne. O  estudo apontou que o consumo de carne de campo grande é 13% maior que a média nacional.

Michael Becker fez questão de salientar que o objetivo da pegada não é apenas detectar os problemas mas principalmente as soluções.  Além disso, o objetivo não é dizer às pessoas que elas não devem consumir. “Trata-se mais de partir para um consumo responsável” explicou.

“Temos o orgulho de ser a primeira cidade brasileira a ter esse cálculo. Vamos aproveitar esses dados para nos aperfeiçoar e oferecer um desenvolvimento com sustentabilidade à população”,  destacou o prefeito Nelson Trad Filho.

De acordo com ele, algumas  ações que já vêm sendo desenvolvidas pela prefeitura podem contribuir para essa melhora. Entre elas, a inclusão de orgânicos na merenda escolar e o plantio de mudas de árvores. “Acreditamos que o estudo vai ser um balizador para que numa próxima medição, possamos ter indicadores melhores, mostrando que avançamos”, disse Trad.

O Secretário Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano, Marcos Cristaldo,  também falou a importância desse trabalho para a cidade de Campo Grande. “A pegada ecológica é um indicador importante para o planejamento urbano e norteador da política municipal de meio ambiente para que a cidade cresça sem perda de qualidade de vida da população”, disse
Exemplo para outras cidades

A escolha da capital sul-mato-grossense para ser a primeira cidade brasileira a desenvolver essa metodologia se deve a alguns fatores, como Campo Grande ser a capital do estado que abriga a maior parte do Pantanal, região com enorme riqueza ambiental e ao mesmo tempo ameaçada pela degradação provocada por alguns modos insustentáveis de consumo.

Embora esteja na borda do Pantanal e não dentro dele, os impactos causados pelo consumo, de moradores da cidade e de outras partes do Brasil e do mundo, têm reflexos sobre a planície pantaneira.

Outro elemento importante é o perfil da cidade, similar ao de muitas cidades brasileiras, onde ainda é possível direcionar o planejamento urbano.  “Campo Grande ainda não administra o caos como em outras cidades do Brasil e do mundo. Por isso temos uma oportunidade para que seu desenvolvimento se dê em  bases mais sustentáveis”, ressaltou a técnica de conservação do WWF-Brasil, Terezinha Martins.

De acordo com Michael Becker, o exemplo de Campo Grande deve ser  seguido. “As cidades brasileiras precisam medir e conhecer suas pegadas, olhar para seu ‘marcador de combustível’ e tornar concretas alternativas para se ter um consumo melhor, associado à garantia da qualidade de vida das populações”, destacou.

Base de dados da pesquisa – Para determinar os padrões de consumo do cidadão médio em Campo Grande foi usada a Pesquisa de Orçamento Familiar, utilizada pela Universidade Anhanguera – Uniderp e Fundação Manoel de Barros – FMB para a determinação do Índice de Preços ao Consumidor.  No entanto, foi necessário atualizar a pesquisa, que era de 2004, para os padrões de 2008, bem como assumir como padrão médio de despesas para Campo Grande o mesmo valor determinado para Mato Grosso do Sul pela Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE.

Próximos passos

O cálculo da Pegada Ecológica é a primeira etapa do trabalho. Com o diagnóstico pronto, os parceiros estão agora iniciando um plano de ações que serão implementadas a curto, médio e longo prazos, para reduzir a pegada ecológica.

Esse plano inicial foi elaborado durante a oficina de dois dias, que teve a participação de diferentes segmentos da cidade – governo,  ONGs, universidades, movimentos sociais, centros de pesquisa e outros que venham a participar depois. “Essa é uma ação que ter o envolvimento de todo mundo. Só assim poderemos encontrar soluções para construir uma Campo Grande melhor, com menos impactos” destacou Terezinha.

Na oficina foram estabelecidos alguns programas, projetos e orientações a políticas públicas para a redução dos impactos ambientais e consumo conscientes da cidade.

Entre elas, ações de reflorestamento de áreas degradadas utilizando sistemas agroflorestais, recuperação de nascentes, recomposição de matas ciliares e corredores ecológicos.

Ações de melhoria da qualidade da água para uso humano também foram propostas, incluindo limpeza dos canais, reflorestamento de matas ciliares, como forma de melhorar a gestão ambiental e  atuar na prevenção a enchentes e epidemias.

Em relação a ações de gestão de resíduos sólidos, foram apontadas ações que vão desde a separação do lixo nos domicílios, entrega para cooperativas de catadores para reutilização e reciclagem e gestão do destino final.

Outro ponto que irá integrar o plano de ação é potencializar os projetos já existentes de agricultura periurbana, com destaque para o fomento à produção de alimentos orgânicos e agroecológicos e de economia solidária e de valorização  dos produtos  e serviços da agricultura familiar.

Esse aspecto é importante porque uma das constatações do estudo foi que boa parte dos legumes consumidos em Campo Grande vem de fora. Com isso, será possível aumentar a demanda da população por produtos locais, reduzir o consumo de produtos vindos de outros locais e fortalecer a circulação de recursos financeiros para a cidade.

Foi proposta também a realização de uma oficina de comunicação para elaborar estratégias de comunicação visando a disseminação das políticas públicas definidas no planejamento.

O trabalho com a Pegada Ecológica de Campo Grande está começando a ganhar projeção nacional.  No dia 13 de abril, o estudo será apresentado na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEAUSP), de 11h30 as 13h30.

Sobre a Pegada Ecológica

A Pegada Ecológica é uma metodologia de contabilidade ambiental que avalia a pressão do consumo das populações humanas sobre os recursos naturais. Expressada em hectares globais (gha), permite comparar diferentes padrões de consumo e verificar se estão dentro da capacidade ecológica do planeta.

Um hectare global significa um hectare de produtividade média mundial para terras e águas produtivas em um ano.  Já a bioacapacidade, representa a capacidade dos ecossistemas em produzir recursos úteis e absorver os resíduos gerados pelo ser humano.

Sendo assim, a Pegada Ecológica contabiliza os recursos naturais biológicos renováveis (grãos e vegetais, carne, peixes, madeira e fibras, energia renovável etc), segmentados Agricultura, Pastagens, Florestas, Pesca, Área Construída e Energia e Absorção de Dióxido de Carbono (CO2).

Fonte: WWF 

Texto de  Geralda Magela, de Campo Grande (MS)

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Governo considera ‘injustificáveis’ pedidos da OEA sobre Belo Monte

Comissão Interamericana de Direitos Humanos solicitou paralisação da obra.

Objetivo seria ‘garantir a vida e a integridade pessoal dos povos indígenas’.

O Ministério de Relações Exteriores divulgou nota nesta terça-feira (5) classificando de “precipitadas e injustificáveis” as medidas que a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA) solicita que sejam adotadas para “garantir a vida e a integridade pessoal dos povos indígenas” supostamente ameaçados pela construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, no Pará.

A OEA, em nome da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), enviou carta ao governo brasileiro solicitando a suspensão imediata do processo de licenciamento de Belo Monte e da execução da obra.

Também foi solicitado ao governo brasileiro a disponibilização dos estudos de impacto ambiental aos índios que vivem na bacia do Xingu e a adoção de medidas “vigorosas e abrangentes” para proteger a vida e a integridade pessoal dos povos indígenas da região.

A decisão da CIDH é uma resposta à denúncia encaminhada em novembro de 2010 pelo Movimento Xingu Vivo Para Sempre, que representa várias comunidades tradicionais da bacia do Xingu, tais como a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), a Prelazia do Xingu e o Conselho Indígenista Missionário (Cimi).

De acordo com a nota, o governo brasileiro tomou conhecimento, “com perplexidade”, da solicitação de paralisação das obras da usina de Belo Monte. “O Governo brasileiro, sem minimizar a relevância do papel que desempenham os sistemas internacionais de proteção dos direitos humanos, recorda que o caráter de tais sistemas é subsidiário ou complementar, razão pela qual sua atuação somente se legitima na hipótese de falha dos recursos de jurisdição interna”.

Belo Monte será a segunda maior usina hidrelétrica do Brasil, atrás apenas da binacional Itaipu, e custará pelo menos R$ 19 bilhões, segundo o governo federal. A usina está prevista para começar a operar em 2015.

“Solicitação da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da OEA

O Governo brasileiro tomou conhecimento, com perplexidade, das medidas que a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) solicita sejam adotadas para “garantir a vida e a integridade pessoal dos membros dos povos indígenas” supostamente ameaçados pela construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte.

O Governo brasileiro, sem minimizar a relevância do papel que desempenham os sistemas internacionais de proteção dos direitos humanos, recorda que o caráter de tais sistemas é subsidiário ou complementar, razão pela qual sua atuação somente se legitima na hipótese de falha dos recursos de jurisdição interna.

A autorização para implementação do Aproveitamento Hidrelétrico de Belo Monte foi concedida pelo Congresso Nacional por meio do Decreto Legislativo nº 788/2005, que ressalvou como condição da autorização a realização de estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental, em especial “estudo de natureza antropológica, atinente às comunidades indígenas localizadas na área sob influência do empreendimento”, com a devida consulta a essas comunidades. Coube aos órgãos competentes para tanto, IBAMA e FUNAI, a concretização de estudos de impacto ambiental e de consultas às comunidades em questão, em atendimento ao que prevê o parágrafo 3º do artigo 231 da Constituição Federal.

O Governo brasileiro está ciente dos desafios socioambientais que projetos como o da Usina Hidrelétrica de Belo Monte podem acarretar. Por essa razão, estão sendo observadas, com rigor absoluto, as normas cabíveis para que a construção leve em conta todos os aspectos sociais e ambientais envolvidos. O Governo brasileiro tem atuado de forma efetiva e diligente para responder às demandas existentes.

O Governo brasileiro considera as solicitações da CIDH precipitadas e injustificáveis.”

Fonte: G1 Brasília

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Impactos das mudanças climáticas na Amazônia podem inviabilizar Belo Monte

Belo Monte, um empreendimento hidrelétrico que consumirá mais de R$ 20 bilhões para sua construção, poderá no mais drástico dos cenários de alterações climáticas perder mais de 80% de sua receita anual até 2050, como resultado de uma diminuição da vazão do Rio Xingu.

Isso é o que apontam dados preliminares de um estudo em desenvolvimento pelo WWF-Brasil no âmbito da parceria HSBC Climate Partnership por consultores especializados em hidrologia e mudanças climáticas. O estudo analisa a vulnerabilidade climática da produção de hidroeletricidade na região Norte do país com enfoque em alguns grandes empreendimentos como a usina hidrelétrica de Belo Monte.

“As prováveis mudanças na vazão do rio Xingu, provocadas pelas alterações climáticas, colocarão em risco a viabilidade da usina de Belo Monte”, afirmou Carlos Rittl, coordenador do Programa de Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil. “Belo Monte pode gerar muito menos energia do que o previsto e muito menos receitas do que o esperado, tornando-se um fracasso financeiro”, acrescentou. “Os altos custos sociais e ambientais, aliados aos riscos financeiros, deveriam levar o Governo Brasileiro a uma ampla reflexão sobre a viabilidade da obra”, concluiu Rittl.

O estudo, a ser lançado ainda este ano, considerou 4 cenários de emissões futuras estabelecidos pelo IPCC – A1, A2, B1 e B2 – cada qual descrevendo um futuro possível para a humanidade e a curva de emissões globais resultantes. A aplicação de modelos climáticos dentre os mais robustos existentes, como o HadCM3 do Hadley Centre (Reino Unido) ou o ECHam4 do Max-Planck-Institute für Meteorologie (Alemanha), aos quatro cenários permite identificar a possibilidade de uma diminuição significativa na vazão da bacia do rio Xingu até 2050.

Apesar de certa variabilidade nos resultados – alguns poucos mostram ganhos de receita que chegam a 4% até 2050, enquanto outros mostram uma queda bruta na receita chegando a quase 90% -, uma forte tendência é evidente: as perdas podem variar entre 4 e 10% da receita anual da usina até 2050.

De acordo com Carlos Alberto de Mattos Scaramuzza, superintendente de Conservação do WWF-Brasil, as variações climáticas futuras não estão sendo incorporadas da forma devida no planejamento energético e na análise de viabilidade de projetos hidrelétricos na Amazônia Brasileira. “Tivemos duas secas muito severas na Amazônia em menos de 10 anos, em 2005 e 2010. Temos de tirar lições destes eventos climáticos extremos e, de uma vez por todas, inserir a variável climática no planejamento da expansão da produção de energia no país. Com isso, ficaria ainda mais clara a atratividade da eficiência energética e de outras energias renováveis não-convencionais, como a energia eólica, a solar e a de biomassa. Havendo investimentos, estas alternativas podem gerar energia suficiente para atender as necessidades de crescimento econômico do Brasil, minimizando os riscos climáticos dos empreendimentos hidrelétricos”, concluiu Scaramuzza.

“O governo tende a considerar os projetos hidrelétricos um a um, o que é ineficiente sob aspectos econômicos, sociais e ambientais”, afirmou Denise Hamú, Secretária-Geral do WWF-Brasil. “Para viabilizar a Usina de Belo Monte, os riscos da obra foram socializadas para atrair investidores. Os dados preliminares deste estudo indicam que os riscos financeiros podem ser ainda maiores do que aqueles originalmente previstos e isto torna evidente a necessidade de um olhar macro sobre o potencial, as vantagens e os riscos sociais e ambientais associados à expansão da produção de energia”, conclui Hamú.

O WWF-Brasil considera fundamental que a expansão da produção de energia hidrelétrica seja feita a partir de um olhar sobre toda a bacia Amazônica. É necessária uma análise integrada de cada bacia hidrográfica, considerando-se os riscos sociais e ambientais em toda a extensão dos rios – que são sistemas naturais contínuos – e não apenas das áreas de entorno dos projetos hidrelétricos.

Nota sobre os cenários climáticos do IPCC

O cenário A1 descreve um mundo de rápido crescimento econômico com uma população que atinge seu pico na metade do século e a introdução de tecnologias novas e mais eficientes. Nele, existe uma convergência substancial entre regiões evidenciada por uma crescente interação social e cultural, redução das diferenças regionais e das rendas per capita.

O cenário A2 descreve um mundo muito heterogêneo onde a renda per capita e o desenvolvimento tecnológico convergem de maneira mais fragmentada e lenta. Com identidades regionais mais fortes, as taxas de fecundidade diminuem mais lentamente, o que resulta em crescimento contínuo da população.

O cenário B1 descreve um mundo mais integrado e ambientalmente correto. O crescimento econômico é tão forte quanto no cenário A1, mas caracterizado por uma transição mais profunda em direção a uma economia baseada em serviços e informação. O foco para a estabilidade econômica, social e ambiental é global.

O cenário B2 descreve um mundo mais heterogêneo, porém mais sustentável. É um cenário intermediário com crescimento contínuo da população, crescimento econômico médio, mudanças tecnológicas menos rápidas e mais fragmentadas e foco em soluções locais para a estabilidade econômica, social e ambiental.

Fonte: WWF

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