Revista Multimídia Ambiental

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Manejo de pesca alcança resultados e é ampliado no Acre

A Feira do Pirarucu já faz parte do calendário oficial de eventos do Estado do Acre. Realizada anualmente em agosto, no município de Manoel Urbano, tem como principal objetivo mostrar à sociedade local a importância do peixe para a economia e a segurança alimentar da região, além de representar uma importante fonte de renda para pescadores e comerciantes do município.

A quarta edição do evento foi encerrada neste domingo, 22 de agosto. A população local teve a oportunidade de saber mais sobre um dos maiores peixes de água doce do mundo, além de outras espécies pesqueiras presentes no Acre. Houve ainda degustação de pratos feitos a partir do pirarucu, comercialização da manta (filé) do peixe e atrações culturais da região. Além de Manoel Urbano, o projeto do manejo de pesca também está acontecendo nos municípios de Feijó e Tarauacá.

A Feira demonstrou que o projeto de manejo do pirarucu, fruto de parceria entre Colônia de Pescadores de Manoel Urbano, Governo do Acre e WWF-Brasil, alcançou bons resultados, contribuindo para a sustentabilidade da pesca na região. Em 2005, a população de pirarucus nos lagos de Manoel Urbano estava acabando, colocando em riso a principal atividade econômica do município. Hoje não há mais escassez da espécie.

Diante do quadro negativo observado há cinco anos, os pescadores locais procuraram o Governo do Estado e o WWF-Brasil, para que fosse iniciado um projeto de manejo buscando recuperar os estoques do pirarucu nos lagos da região. Foram feitas capacitações para que as comunidades conseguissem contar com precisão os peixes nos lagos, de modo que as ações de repovoamento pudessem ser planejadas.

Em seguida, os pescadores elaboraram regras para a pesca na região, proibindo por três anos a captura do pirarucu, para que o peixe pudesse voltar a se reproduzir. Em 2007, foi constatado um significativo aumento da população do pirarucu, fazendo com que o Ibama passasse a permitir, anualmente, a pesca de uma quantidade de peixes adultos que não ameaçasse a sustentabilidade da atividade pesqueira.

“No começo, poucos acreditaram que a gente ia conseguir pescar de novo nos lagos daqui. Hoje, os lagos estão cheios de peixe e a gente já consegue ganhar uma renda maior com o pirarucu”, afirma Geraldo Bispo, pescador da região.

O sucesso do projeto em Manoel Urbano já está sendo replicado em outras regiões no Acre. No município vizinho de Feijó, por exemplo, onde há grande quantidade de pirarucus, o manejo tem alcançado bons resultados. Diferentemente de Manoel Urbano, o município apresenta um histórico de grande quantidade de pirarucus. Porém, como o Ibama permite a captura da espécie apenas em locais onde ocorre o manejo, a população não podia usufruir da pesca.

Aumento da renda

Os primeiros acordos em Feijó foram implementados em 2009, em seis comunidades. Naquele ano, a pesca autorizada pelo Ibama rendeu um total de R$ 12,8 mil à população local. Este ano, a cifra saltou para R$ 14,7 mil.

Charles Guimarães, líder da Colônia de Pescadores de Feijó, relata que a nova fonte de renda tem sido importante para a comunidade local. “Melhorou a qualidade de vida do pescador. Alguns compraram barco, outros um motor, TV ou antena parabólica. É uma renda que não existia antes”, diz.

O líder comunitário acrescenta que os pescadores optaram por fazer um rodízio, reservando alguns lagos para reposição dos estoques pesqueiros e outros para a pesca, trocando as funções no ano seguinte e permitindo a recuperação de áreas degradadas. “Antes, tínhamos o peixe, mas não podíamos pescar por causa da lei. Agora, com o manejo e os acordos, podemos ganhar mais, sem ameaçar a sobrevivência do pirarucu”, conclui.

Antonio Oviedo, técnico do WWF-Brasil, relata que o manejo do pirarucu tem sido bem-sucedido, não apenas em relação a resultados de conservação, mas também no tocante à inclusão social. “A pesca sustentável do pirarucu significa renda, segurança alimentar e ecossistemas aquáticos mais íntegros, desempenhando de forma plena suas funções ecológicas”, declara.

Para o secretário de Extensão Agropecuária e Produção Familiar do Acre, Nilton Cosson, o projeto de manejo de pesca tem mudado a vida de centenas de famílias em Manoel Urbano e outros municípios. “A sociedade acreana está cada vez mais se conscientizando de que é possível ter qualidade de vida utilizando os ativos ambientais presentes nos locais onde cada comunidade vive”, avalia.

Além de Manoel Urbano e Feijó, o projeto do manejo sustentável da pesca está em andamento em Tarauacá, com possibilidade de expansão em um futuro próximo para os municípios acreanos de Santa Rosa do Purus e Plácido de Castro.

Créditos: Bruno Taitson, WWF.

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Pagamento por boas práticas produtivas beneficia famílias no Acre

Francisco de Paulo, pescador que vive há 24 anos no município acreano de Manoel Urbano, tem consciência da importância da conservação dos ecossistemas para a qualidade de vida das atuais e futuras gerações. “A floresta é muito importante para nós. Talvez um neto meu queira conhecer a floresta e a gente vai poder mostrar”, resume.

Conhecido como Tachico, Francisco de Paulo é um dos beneficiados pelo programa de remuneração por boas práticas produtivas, liderado pelo Governo do Acre, com apoio do WWF-Brasil por meio do projeto Protegendo as Florestas, uma parceria com a emissora de TV Sky, do Reino Unido.
Para se credenciar a participar programa de certificação ambiental, o pescador recebeu a visita de técnicos da Secretaria de Extensão Agroflorestal e Produção Familiar (Seaprof), que passaram orientações de como produzir de maneira sustentável.

Tachico assinou um compromisso de não desmatar ilegalmente sua propriedade, além de não fazer uso de fogo para a lavoura a partir do segundo ano do processo. Além de começar a receber capacitação para um modo de produção mais sustentável e vantajoso financeiramente, o governo ainda remunera os participantes do programa.

No ato de adesão ao sistema, o produtor recebe R$ 250, que corresponde a 50% da primeira parcela do bônus. Os outros R$ 250 são pagos quando o plano de uso da propriedade é concluído, em até até 12 meses após a adesão. A partir do segundo ano de implementação do plano, o participante receberá R$ 600 anuais, durante nove anos.

O dinheiro foi bem utilizado pelo pescador Tachico. “Comprei feijão, um porco, arroz, macaxeira e também paguei um peão para me ajudar no roçado”, relatou Tachico, que vive com a esposa um filho e duas netas.

Outro morador da região, o também pescador Geraldo Bispo, aderiu ao programa este ano, e já colhe os frutos da iniciativa. “É muito importante receber orientação para a gente continuar a proteger a floresta”, disse. Com os R$ 250 que já recebeu, Geraldo quitou dívidas e comprou alimentos para toda a família. “Moro com minha mulher, três filhos e um neto. Uma renda como essa é muito boa pra gente”, afirmou.

Mauro Armelin, coordenador do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Sustentável do WWF-Brasil, salienta que um dos objetivos do projeto é fazer com que comunidades locais tenham mais de uma alternativa de renda em sua propriedade, além de auxiliar na conservação dos ecossistemas. “É fundamental oferecer ao morador local opções que possam, do ponto de vista financeiro, fazer frente a atividades predatórias, historicamente mais rentáveis, como a pecuária extensiva de corte, atualmente o principal vetor de desmatamento da Amazônia”, avaliou.

Para Nilton Cosson, secretário de Estensão Agroflorestal e Produção Familiar do Acre, o principal objetivo da certificação é gerar inclusão socioprodutiva, integrando conservação da floresta, produtividade, segurança alimentar e aumento na renda familiar. “O processo envolve os proprietários de forma participativa, de acordo com as necessidades locais”, descreve o secretário estadual.

O projeto Protegendo as Florestas, coordenado por governo do Acre e WWF-Brasil, com apoio da emissora inglesa de TV SKY News, pretende acrescentar 1 mil famílias às atuais 2 mil beneficiadas pelo programa de certificação ambiental de propriedades rurais no Acre.

Créditos: Bruno Taitson, de Manuel Urbano (AC) e WWF – BRASIL

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Desmatamento: Grupo derrubava castanheiras-do-Pará em assentamento do Incra em Marabá

Fiscais lacraram serrarias e apreenderam 453 m³ de madeira.
Ibama ainda investiga se colonos participavam do esquema.

Agentes do Ibama flagraram nesta segunda-feira (16) 5 pessoas derrubando e transportando castanheiras-do-Pará na região de Marabá (PA). O esquema funcionava por meio de um assentamento do Incra na área e o órgão tem indícios de que os colonos conheciam a atividade criminosa, mas as investigações ainda estão em andamento.

Os agentes prenderem as pessoas e entregaram a madeira à Polícia Civil. Na ação, três serrarias foram lacradas e três caminhões com 453 metros cúbicos de madeira foram apreendidos. Mais da metade da madeira apreendida era de castanheiras-do-Pará, considerada nobre e com corte proibido. Os fiscais ainda aplicaram R$ 176 mil em multas.

A derrubada, segundo o Ibama, ocorria na área de reserva legal do Assentamento 26 de Março, cuja floresta é protegida por lei. Os homens presos já haviam derrubado 30 árvores quando o órgão flagrou o esquema.

Já as serrarias que faziam parte do esquema ficam em Eldorado do Carajás, a cerca de 70 quilômetros do assentamento. Os proprietários das empresas não tinham licença para a atividade, segundo o Ibama, e mantinham produto ilegal nos depósitos.

Créditos: Globo Amazônia

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Desmatamento na Amazônia cai, mas dados não são conclusivos

O Governo Federal anunciou nesta segunda-feira, 9 de agosto, uma queda de 49% na estimativa de desmatamento acumulado na Amazônia entre agosto de 2008 e julho de 2009, no comparativo com o período anterior. Os números são positivos, mas revelam uma situação preocupante: o crescimento nos desmates realizados em pequenas propriedades.

O índice foi apurado pelo sistema Deter, do Instituto Brasileiro de Pesquisas Espaciais (Inpe), que tem como função principal alertar as autoridades com rapidez  para focos de desmatamento na região. Trata-se de um indicador menos preciso que o do Prodes, também do Inpe, que deve ser divulgado nos próximos meses.

Para Cláudio Maretti, superintendente de Conservação do WWF-Brasil, a estimativa apresentada é positiva e se deve, principalmente, à efetividade das políticas de fiscalização em áreas de maior extensão. “Porém, há um preocupante aumento do desmatamento em áreas menores, que ainda não foi mensurado. Os números apresentados pelo governo não são conclusivos, apenas indicam uma tendência de queda”, afirma.

Cláudio Maretti destaca ainda que é preciso questionar se, de fato, estão colocadas as condições estruturais para uma redução continuada do desmatamento. “De um lado, temos importantes políticas de controle e fiscalização, de criação e implementação de áreas protegidas e de promoção do uso sustentável. Por outro, há licenciamentos para obras de infraestrutura feitos de forma apressada e a possibilidade de modificação no Código Florestal, o que acaba funcionando como um estímulo ao desmatamento e à ocupação desordenada na Amazônia”, concluiu.

Um ponto que chama atenção é o fato de o levantamento feito pelo Instituto do Homem e do Meio Ambiente na Amazônia (Imazon) ter apontado, ao contrário dos números do governo, um leve aumento nos desmatamentos na Amazônia.

O Brasil assumiu, na conferência do Clima em Copenhague, em 2009, importantes metas de redução de desmatamento. Porém, são compromissos voluntários, cujo cumprimento não é obrigatório. “Não pode haver conivência com o desmatamento, sob a forma de anistias e de projetos que flexibilizem o Código Florestal. Isso torna quase nula a possibilidade de alcançarmos o desmatamento zero. O Brasil deve cumprir as metas assumidas nas convenções de Clima e de Biodiversidade e defender seu maior patrimônio: a natureza, para promover um desenvolvimento que seja sustentável e uma economia verde”, avaliou Denise Hamú, secretária-geral do WWF-Brasil.

Fonte: Site WWF – Brasil

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Pesquisa revela que florestas tropiciais sofrerão perda de espécies até o ano de 2100

Por Myrian Conôr, em Castanhal Pará.

Projeção estima efeito das mudanças climáticas e da ação humana.
Na Amazônia, 80% do bioma deve ser afetado, segundo os autores.


Estudo publicado na edição desta quinta-feira (5) da revista “Conservation Letters” aponta que até 2100, apenas entre 18% e 45% das plantas e animais da florestas tropicais úmidas do planeta permanecerão no seu estado atual. A maior parte desses ecossistemas está sujeita a perda de biodiversidade por causa das mudanças climáticas, da exploração madeireira e das alterações no uso do solo.

A pesquisa liderada por Greg Asner, da Carnegie Institution, nos EUA, combina novos dados climáticos e de exploração econômica dessas regiões. A ação humana direta, assim como as mudanças no clima,  fazem com que a floresta tropical, a mais rica em biodiversidade, desapareça ou se adapte.

Com imagens de satélite e dados de alta resolução associados a 16 projeções climáticas globais, os autores criaram cenários de como diferentes tipos de espécies poderiam se realocar geograficamente até 2100.

O levantamento conclui que até 80% da Bacia Amazônica pode ter mudanças em sua biodiversidade. Para toda a América Central e do Sul, a projeção média é de dois terços. No caso da região do Congo, na África, entre 35% e 74% podem ser atingidos. Em todo o continente africano, cerca de 70% devem ter alteração na biodiversidade.

A Ásia e as ilhas do Pacifíco devem ser, dentre as regiões com florestas tropicais, as menos atingidas pelas mudanças climáticas. Ainda assim, devido à ação humana, entre 60% e 77% de suas florestas podem ter perda de biodiversidade até 2100. O propósito do estudo é apontar quais são os pontos mais sensíveis de floresta para orientar políticas de conservação.

Créditos:

Globo Amazônia,

Planeta Sustentável,

Green Peace.

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