Revista Multimídia Ambiental

Pensando em um mundo melhor.

Brasil é o país que mais causa impacto ao meio ambiente, diz pesquisa

Por Myrian Conor, em Castanhal – Pará.

País lidera lista, seguido de Estados Unidos, China, Indonésia e Japão.
Estudo foi feito em universidade na Austrália e publicado no início do mês.

Publicado no início do mês, um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Adelaide, na Austrália, coloca o Brasil no topo de uma lista de países que mais causam impacto ao meio ambiente no mundo.
A pesquisa Evaluating the Relative Environmental Impact of Countries (Avaliação do Impacto Ambiental Relativo dos Países, em tradução livre) foi publicada no jornal científico PloS One e analisou o estado de degradação do meio ambiente em 171 países. O estudo classificou os países em rankings absolutos e proporcionais.
Diversos fatores influenciaram a medição da lista, como as taxas de desmatamento, poluição do ar e da água e a perda da biodiversidade, além das taxas de emissão de carbono e o número de espécies em extinção. A pesquisa também considerou o crescimento populacional e econômico.

Na lista do ranking que considera o impacto ambiental de maneira absoluta, sem medir o tamanho dos territórios e a quantidade de recursos naturais disponíveis, o Brasil aparece no topo da lista como o país que mais causa dano a natureza.

O principal fator que coloca o Brasil nessa posição é o desmatamento. O país é o primeiro no fator de perda de floresta natural e o terceiro em transformação de habitats naturais. O Brasil também é o quarto país com mais espécies ameaçadas e que mais emite carbono na atmosfera, segundo o estudo.
A pesquisa concluiu que países com maior população e fortes economicamente foram os que mais tiveram impacto ambiental absoluto. Brasil, Estados Unidos, China, Indonésia, Japão, México, Índia, Rússia, Austrália e Peru são os dez países que lideram a lista.

No ranking de impacto proporcional, que considera recursos naturais, o Brasil não aparece entre os 20 primeiros. Cingapura, Coreia do Sul, Quatar, Kuwait, Japão, Tailândia, Bahrein, Malásia, Filipinas e Holanda são os dez países que lideram a lista.

Deixe um comentário »

Hidrelétricas ameaçam ritual do povo Enawenê Nawê

Por Myrian Conôr, em Castanhal – Pará.

Em fevereiro de 2009, o projeto Vídeo nas Aldeias, em parceria com o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), do Ministério da Cultura, e a Opan (Operação Amazônia Nativa), iniciou as filmagens do mais longo ritual indígena da Amazônia brasileira, o Yaõkwá, dos índios Enawenê NawêO Iphan estava iniciando o processo de patrimonialização, de acordo com o Diário Oficial da União de 25 de maio. Com duração de sete meses, é um dos quatro cerimoniais que os Enawenê realizam todo ano. Com um ciclo cerimonial de 11 meses para reverenciar, alimentar e agradar o panteão de espíritos que podem ser perigosos ou protetores, os Enawenê se alimentam exclusivamente de peixes.

No ritual, os clãs que incorporam os espíritos naquele ano se esparramam pelos igarapés de suas terras, construindo barragens para capturar os peixes nobres que baixam nos igarapés após a piracema. No ano passado, os peixes não retornaram da piracema como de costume. Era a primeira vez que isso acontecia. O período das chuvas havia se estendido além do normal e todos os sinais da natureza que tradicionalmente indicam o tempo da descida dos peixes falharam. O descompasso da agenda cerimonial Enawenê com as mudanças climáticas parecia visível e desastrosa. Desorientados, os índios se perguntavam por que os peixes não tinham subido.

Dois meses depois, os índios pressionaram a Funai para a compra de peixes de criatório. Em três dias a Funai conseguiu dinheiro das construtoras da PCH (Pequena Central Hidrelétrica) Telegráfica para a compra de três mil quilos de peixe tambaqui para darem início ao capítulo mais importante do Yaõkwá.

Pode parecer muito, mas em tempos normais eles pescariam e moqueariam 10 vezes mais, para serem trocados e consumidos nos quatro meses seguintes na aldeia. Em 2009, por conta disso tudo fez com que o ritual tivesse uma versão compactada, e a tradicional troca generalizada de raquetes de peixes no páteo da aldeia não aconteceu. Além de ser a única fonte de proteína, o peixe ainda é a moeda de troca da sociedade Enawenê. Como mandar colocar o estojo peniano no filho adolescente, como fazer as oferendas para os espíritos pouparem o seu filho que está doente, se não houver peixe para pagar?

Os Enawênê Nawê sabem muito bem que terminada a temporada de pesca é preciso romper a tapagem para permitir que no ano seguinte os peixes subam novamente para desovarem nas cabeceiras dos igarapés. Imaginem o pavor quando souberam em 2008 que dezenas de barragens permanentes estavam sendo construídas nos rios que atravessavam suas terras! Impactados com a notícia, em 11 de outubro de 2008, ocuparam e destruíram um dos canteiros de obras. No final de março de 2009, pressionados por outros povos indígenas da região, eles finalmente assinaram o Plano de Compensação de 1 milhão e meio de reais pela construção de oito PCHs no Rio Juruena pelos empreendimentos da empresa do então governador de Mato Grosso, Blairo Maggi. O Plano de compensação, que não tem nada de ambiental, consiste numa lista de compras de veículos e motores de popa, para quem não tem nem estrada para chegar na aldeia, o que deverá agravar a dependência de recursos para a compra de gasolina.

A única coisa que os Enawênê ainda se recusam a permitir é a pesquisa em seu próprio território, coisa que a EPE – Empresa de Pesquisas Energéticas – insistia em fazer, ameaçando os índios inclusive com intervenção da Casa Civil, respaldada nas ressalvas da sentença dada pelo STF, em março de 2009, no caso da Reserva Raposa-Serra do Sol. Se a mudança climática já revelava a fragilidade da sobrevivência física e cultural dos Enawenê Nawê, imaginem quando as comportas estiverem fechadas e todo este Complexo Hidrelétrico o estiver implantado na região. O que será do ritual do Yaõkwá? Quem sabe agora, inscrito no livro de Registro e Celebrações do Patrimônio Imaterial Brasileiro, o ritual consiga um pouco mais de proteção, apesar das PCHs e das mudanças climáticas.

Fonte: Globo Amazônia

Deixe um comentário »

Áreas protegidas na Amazônia evitam emissão de 8 bi de toneladas de carbono

Por Myrian Conôr, Belém do Pará.

Mesma quantidade é enviada ao céus pelo planeta a cada ano.
Autor sugere investimento de até R$ 16,6 bi para preservação.

Gases de efeito estufa lançados pelo mundo inteiro durante um ano somam uma quantia de poluentes que poderia ser compensada com a proteção de apenas uma parcela do território amazônico. Tal parcela abrange todas as áreas protegidas da Amazônia, que poderiam evitar a emissão de até 8 bilhões de toneladas de carbono para os céus antes de 2050.

A conclusão é de um novo estudo conduzido por Britado Silveira, diretor do Centro de Sensoriamento Remoto da Universidade Federal de Minas Gerais (UFGM), e outros 12 especialistas. A pesquisa foi publicada nesta quarta-feira (26) pela revista científica americana PNAS.

O estudo avaliou as 595 Unidades de Conservação estaduais e federais da Amazônia. Terras indígenas e áreas militares, como a da reserva da Serra do Cachimbo, também foram inclusas nessa conta. São territórios, segundo o estudo, que abrigam 54% do que resta de floresta na Amazônia e que contêm 56% do carbono disponível na floresta. A área equivale a cerca de 3,4 milhões de quilômetros quadrados.

A quantidade de terras protegidas na Amazônia cresceu cerca de 700 mil quilômetros quadrados entre 2002 e 2009, de acordo com a pesquisa. Para garantir a fiscalização dessas áreas, Britaldo Soares estima que seria necessário investir de US$ 3 bilhões (R$ 5,5 bilhões) a US$ 9 bilhões (cerca de R$ 16,6 bilhões).

Segundo Soares, parte desse custo poderia ser compensado por meio de um acordo climático internacional baseado em incentivos a países que implementem pagamentos por Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação, mais conhecidos como Redd.

Fonte: Globo Amazônia

Deixe um comentário »

Fiscais apreendem 3,3 t de barbatana de tubarão em frigorífico no Pará

Por Myrian Conôr, em Belém do Patá.

Material em frigorífico estava pronto para ser exportado.

Cada quilo do produto iria ao mercado asiático por R$ 65.

Agentes das divisões de Fauna e Pesca e de Fiscalização de Superintendência do Ibama no Pará apreenderam na tarde desta terça-feira (25), em Belém, cerca de 3,3 toneladas de barbatana de tubarão e mais 2 toneladas de bexiga natatória de outros peixes.

As informações são do coordenador de fiscalização do órgão no estado, Leandro Aranha. De acordo com ele, o material apreendido já estava em fase de processamento para exportação no frigorífico Sigel, cuja licença ambiental permitia a comercialização de uma tonelada do produto por mês.

“Eles estavam vendendo 5 toneladas e pode ter vasão fiscal envolvida”, diz Aranha. A exportadora, que recebeu três multas no valor de R$ 211 mil e responderá criminalmente, também não tinha registro de pesca e certificado de regularidade junto ao Ibama, de acordo com os fiscais.

A barbatana de tubarão tem alto valor no mercado internacional. Segundo Aranha, a nota fiscal apreendida no frigorífico indica o preço de R$ 65 por cada quilo de barbatana. Já as bexigas natatórias custariam entre R$ 21 e R$ 81 o quilo, dependendo da espécie.

A nota fiscal também indicava que o produto seria enviado a um país na Ásia. A barbatana de tubarão é usada, geralmente, na preparação de sopas e medicamentos em países asiáticos.

No Brasil, falta rigor na lei para proteger os tubarões. “A legislação é muito permissiva e a gente precisa intensificar a fiscalização”, diz ele. De acordo com Aranha, os pescadores geralmente cortam a barbatana e jogam o tubarão de volta ao mar, onde eles morrem. “Mas temos muita dificuldade para provar isso”, diz.

Procurada pela reportagem do Globo Amazônia, a Sigel informou por telefone que não vai se manifestar sobre a apreensão.

Fonte: Globo Amazônia

Deixe um comentário »

Paz para a Floresta Boreal

Por Myrian Conôr, em Belém do Pará

Greenpeace, em coalizão com ONG´s ambientais, chega a acordo histórico com empresas no Canadá que define moratória de três anos no corte da Floresta Boreal.

Acordo ambicioso e inédito entre a Associação de Produtos da Floresta (APF), organização canadense que regula empresas do setor de madeira e celulose, e uma coalizão de nove ONG´s, entre elas o Greenpeace, selou oficialmente moratória de três anos para derrubadas na Floresta Boreal do Canadá.

O acordo cobre uma extensão de florestas públicas de 72 milhões de hectares – ou duas vezes o tamanho da Alemanha. Destes, 29 milhões de hectares são de Floresta Boreal, a maior e mais antiga da América do Norte. Sua paisagem de rios, lagos, rochedos e gramíneas é lar para animais selvagens, entre eles, uma espécie de alce em perigo de extinção, santuário para milhões de aves migratórias, além de ser um dos maiores estoques terrestres de carbono do planeta, armazenando 25 bilhões de CO2, ou o equivalente às emissões de 12 bilhões de carros por ano.

Além da moratória, as empresas membros do APF, que fazem uso de dois terços de todas as florestas certificadas do Canadá para fabricação de derivados de madeira, como fibra, polpa de celulose e papel, comprometem-se a seguir padrões de manejo ambiental pioneiros no mundo e desenvolver planos de longo prazo para a recuperação da floresta e proteção da espécie de alce ameaçada. 

“Esta é nossa melhor chance de salvar o alce destes bosques, proteger permanentemente a Floresta Boreal, garantir o armazenamento de um imenso estoque de carbono mundial e estabelecer práticas responsáveis inéditas para nossas florestas”, comemora Richard Brooks, Coordenador da Campanha de Florestas do Canadá. Avrim Lazar, presidente da APF, também celebrou a coalizão com os ambientalistas: “As empresas que compõe a Associação identificaram uma forma mais inteligente e produtiva de conciliar desafios econômicos e ambientais”

O acordo coroa uma ação de sete anos em favor da conservação da Floresta Boreal canadense. Em agosto de 2009, o Greenpeace também conseguiu que a fabricante de lenços de papel e papel higiênico Kimberly-Clark, detentora das marcas Kleenex, Scott e Huggies, zerasse o uso de fibra proveniente de florestas ameaçadas ou importantes para conservação no Canadá

“A vitória obtida pelo Greenpeace e outras oito ONGs contra os destruidores das florestas no Canadá, consolidada no acordo assinado hoje, além de grande notícia para a biodiversidade e o clima no planeta, demole o discurso pseudo-nacionalista de gente como o deputado Aldo Rebelo e a bancada da motosserra no Congresso, que justificam o desmatamento acusando quem defende florestas aqui de fazer parte de uma conspiração imperialista contra o desenvolvimento do Brasil”, diz Paulo Adário, diretor da Campanha de Amazônia do Greenpeace brasileiro.

FONTE: GREENPEACE

Deixe um comentário »