Revista Multimídia Ambiental

Pensando em um mundo melhor.

A cruzada da Motosserra

Por Myrian Conôr, em Belém do Pará.

Greenpeace: Por detrás da guerra da bancada da motosserra contra o Código Florestal, uma lei com 76 anos de história, só há um motivo: ele, finalmente, está deixando de ser letra-morta.

Nunca, neste país, se falou tanto de Código Florestal. O que é de se estranhar, pois a Lei nº 4.771 já está entre nós há exatos 45 anos. Isso sem contar sua primeira versão, que data de 1934. Não faz mais de década e meia, no entanto, que o Código virou alvo do agronegócio e de seus representantes no Congresso. Considerada, no Brasil e no mundo, uma das mais avançadas peças de legislação florestal, o Código, a cada ano, sofre ataques mais virulentos por parte dessa turma que acha que árvore só deve ser tratada a dentes de motosserra.

Na Câmara Federal, o Código está cercado por todos os lados. Na Comissão de Meio Ambiente da Casa, ainda tramita o projeto de lei 6424, de autoria do senador Flecha Ribeiro (PSDB-PA), que anistia desmatadores, reduz áreas de proteção e destina-se a causar tanto mal a nossas árvores que foi apelidado de “Floresta Zero”. Em outra Comissão Especial, criada no ano passado com a missão de juntar 11 projetos de lei que atacam os preceitos do Código Florestal, o relator, deputado federal Aldo Rebelo, (PCdoB-SP), apoiado por uma maioria de ruralistas, dá claros sinais de que nossas matas não terão mais vez.
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Construção de Belo Monte começa até setembro, diz ministro

Por Myrian Conôr, em Castanhal/Pará.

Governo tentará antecipar assinatura do contrato de outorga.
‘Não podemos mais esperar’, disse Márcio Zimmermann.

O ministro de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, afirmou nesta sexta-feira (23) que a hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará, terá suas obras iniciadas no máximo em setembro deste ano.

Com o leilão vencido pela Chesf, subsidiária da Eletrobrás que lidera o consórcio de construtoras, o governo, segundo Zimmermann, tentará antecipar a assinatura do contrato de outorga. “Trata-se da usina mais planejada do mundo. Foram cinco anos de estudos ambientais e não podemos mais esperar”, afirmou.

O ministro criticou a ação de organizações não-governamentais (ONGs) que tentam protelar o processo de construção da obra, considerando que tais atitudes não passam de “manipulações”. “Não sou técnico, mas me reporto aos números. Foram mais de R$ 70 milhões gastos em estudos ambientais e se for necessário, faremos algumas adequações. Esta inquietude é natural, mas Belo Monte precisa sair”, afirmou o ministro, lembrando que o processo que tratou da construção da usina hidrelétrica de Jirau, no Rio Madeira, em Rondônia, foi ainda mais penoso e sofreu com mais atrasos devido a questões ambientais discutidas na Justiça.

Zimmermann não descartou a possibilidade da Eletrobrás assumir integralmente a execução da obra, uma vez que detém 49% do consórcio. Considerando a possibilidade remota por conta das ações que questionam os valores envolvidos na negociação, ele assegurou que a estatal possui expertise suficiente e que se preciso for, tem capacidade de comprar a parte das demais empresas participantes do grupo vencedor do leilão da Belo Monte. O ministro falou com a imprensa em Florianópolis, onde participou de uma homenagem feita pela Eletrosul, subsidiária da Eletrobrás, responsável pela geração e transmissão de energia na região Sul e onde iniciou carreira.

Lula
Na quinta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a eventual saída de empresas privadas do consórcio que arrematou o leilão de Belo Monte não vai impedir a construção da usina. Segundo ele, a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), subsidiária da Eletrobrás, que tem 49,98% da participação no consórcio, vai construir a hidrelétrica sozinha se for preciso.

“No leilão entrou quem quis e sai quem quer depois. Não tem nenhum cadeado fechando a porta. Tem várias portas. A única coisa que eu digo é o seguinte: nós, enquanto Estado brasileiro, enquanto empresa pública, faremos sozinho o que for necessário fazer”, disse, após almoço no Itamaraty em recepção ao presidente do Líbano, Michel Sleiman.

Fonte: Portal G1

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Usina de Belo Monte divide até tribo de índios no Pará

Por Myrian Conôr, em Belém do Pará

A aldeia Paquiçamba, dos índios juruna, se separou fisicamente por causa da divergência. Cacique é a favor da construção da usina.

Área do Rio Xingu, no Pará, onde deve ser construída a hidrelétrica de Belo Monte

São Paulo – Protegida pelas águas turvas do Rio Xingu e por frondosas árvores nativas da Amazônia, a pequena aldeia Paquiçamba, dos índios juruna, é o retrato fiel do dilema que atinge o oeste do Pará. A tribo, de 83 pessoas, decidiu se separar fisicamente por causa de divergências sobre o projeto da Hidrelétrica de Belo Monte, prevista para ser leiloada terça-feira. Metade da aldeia, inclusive o cacique Manuel, de 70 anos, vê com bons olhos a construção da usina, de 11.233 megawatts (MW). A outra ala, um pouco mais jovem, não pode nem ouvir falar do empreendimento, que custará R$ 19 bilhões.

A briga começou quando o cacique, que no passado discordava do projeto, decidiu apoiar publicamente a hidrelétrica, sem consultar os demais integrantes da tribo, conta Ozimar Juruna, de 41 anos, contrário à construção. “Ele ficou iludido com as promessas feitas pelas empresas (responsáveis pelo projeto). Nós que sabemos ler e falar português, entendemos que a obra será um desastre para a aldeia.”

Quinze famílias devem acompanhar o novo grupo, que terá outro cacique no comando. Será Giliarde, o sobrinho do atual chefe da tribo. No dia em que a reportagem do jornal O Estado de S. Paulo visitou Paquiçamba, o cacique Manuel estava fora, colhendo castanhas na mata. Mas, com tanta polêmica, seu genro Claudio resolveu amenizar o discurso do sogro: “Ele não é contra nem a favor”. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: Portal Exame

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Polêmica: Justiça cassa liminar que suspendia Leilão de Belo Monte

Por Myrian Conôr, em Castanhal/Pa

Manifestação contra a usina de Belo Monte em Brasília

A Justiça Federal cassou nesta sexta-feira uma liminar que suspendia a realização do leilão da usina de Belo Monte, o que fez com que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) confirmasse a realização do pregão na próxima terça-feira (20).

A liminar que suspendia o leilão havia sido concedida na quarta-feira, após uma ação ajuizada pelo Ministério Público Federal. O governo, no entanto, havia recorrido da decisão e acabou por obter uma vitória na Justiça.

A Usina Hidrelétrica de Belo Monte está no centro de uma polêmica. Enquanto críticos apontam para o impacto ambiental e para uma suposta ineficiência no projeto, o governo encara a usina como prioritária e diz que ela aumentaria a oferta de energia em todo país.

A BBC Brasil preparou uma série de perguntas e respostas que explicam a questão.

O que é a Usina Hidrelétrica de Belo Monte?

Com projeto para ser instalada na região conhecida como Volta Grande do Rio Xingu, no Pará, a Usina de Belo Monte deve ser a terceira maior do mundo em capacidade instalada, atrás apenas das usinas de Três Gargantas, na China, e da binacional Itaipu, na fronteira do Brasil com o Paraguai.

De acordo com o governo, a usina terá uma capacidade total instalada de 11.233 Megawatts (MW), mas com uma garantia assegurada de geração de 4.571 Megawatts (MW), em média.

O custo total da obra deve ser de R$ 19 bilhões, o que torna o empreendimento o segundo mais custoso do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), atrás apenas do trem-bala entre São Paulo e Rio, orçado em R$ 34 bilhões.

A usina deve começar a operar em fevereiro de 2015, mas as obras devem ser finalizadas em 2019.

Qual a importância do projeto, segundo o governo?

Uma das grandes vantagens da usina de Belo Monte, de acordo com o governo, é o preço competitivo da energia produzida lá, que não poderá ultrapassar o custo de R$ 83 por Megawatt/hora (MWh).

Segundo o presidente da estatal Empresa de Pesquisa Energética, Mauricio Tolmasquim, este custo representa pouco mais que a metade da produzida em uma usina termelétrica, por exemplo, com a vantagem de ser uma fonte de energia renovável.

Além disso, a construção de Belo Monte deve gerar 18 mil empregos diretos e 23 mil indiretos e deve ajudar a suprir a demanda por energia do Brasil nos próximos anos.

Quem são os grupos contrários à instalação de Belo Monte e o que eles argumentam?

Entre os grupos contrários à instalação de Belo Monte estão ambientalistas, membros da Igreja Católica, representantes de povos indígenas e ribeirinhos e analistas independentes.

Além disso, o Ministério Público Federal ajuizou uma série de ações contra a construção da usina, apontando supostas irregularidades.

Coordenador de um painel de especialistas críticos ao projeto, Francisco Hernandez, pesquisador do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo, afirma que a instalação de Belo Monte provocaria uma interrupção do rio Xingu em um trecho de cerca de 100 km, o que reduziria de maneira significativa a vazão do rio.

“Isso causará uma redução drástica da oferta de água dessa região imensa, onde estão povos ribeirinhos, pescadores, duas terras indígenas, e dois municípios”, diz Hernandez, que afirma que a instalação de Belo Monte também afetaria a fauna e a flora da região.

Além das questões ambientais, alguns críticos apontam que a usina de Belo Monte pode ser ineficiente em termos de produção de energia, devido às mudanças de vazão no rio Xingu ao longo do ano.

Segundo Francisco Hernandez, dependendo da estação do ano, a vazão do rio Xingu pode variar entre 800 metros cúbicos por segundo e 28 mil metros cúbicos por segundo, o que faria com que Belo Monte pudesse produzir apenas 39% da energia a que tem potencial por sua capacidade instalada.

Como o governo responde a essas críticas?

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Chega ao Brasil equipe da operação Antártica

Por Myrian Conôr, em Castanhal/Pa.

Rio de Janeiro – Depois de cinco meses em missão na Antártica, chegaram hoje (17) ao Rio de Janeiro os navios de Apoio Oceanográfico Ary Rongel e Polar Almirante Maximiniano.

A vigésima oitava edição da Operação Antártica (Operantar) levou 52 pesquisadores e 159 tripulantes militares à Estação Comandante Ferraz, para dar sequência ao Programa Antártico Brasileiro, que desenvolve pesquisas científicas em diversas áreas.

O projeto de estudo sobre o processo de recuo das geleiras chamou a atenção do comandante do navio polar Almirante Maximiniano, o capitão de mar e guerra Sérgio Ricardo Segovia.

De volta ao continente antártico depois de 16 anos, ele se disse surpreso com a quantidade de gelo que encontrou na região. Segundo ele, vários pesquisadores de outros países que trabalham ali relataram que os campos de gelo estavam bem maiores se comparados ao mesmo período de outros anos.

“Um pesquisador alemão me disse que nos 40 anos que ele faz pesquisas no continente, nunca havia visto tanto gelo como agora. Ele me explicou que o gráfico que mede o comportamento das geleiras tem picos para cima e para baixo e que na média há, sim, um aquecimento global, mas ano teve um dos verões mais frios dos últimos 40 anos”.

As outras áreas de pesquisas brasileiras são topografia; impactos das mudanças globais sobre a vegetação e as aves da região; mudanças causadas pela ação do homem no meio ambiente marinho antártico; gestão ambiental, educação e difusão da ciência; modelagem e dinâmica de massas de água nas regiões polares; solo marinho; e análise de dados oceanográficos e de microorganismos do continente.

Créditos:   http://agenciabrasil.ebc.com.br/

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